Bahia registra aumento de mortes no trânsito e gastos hospitalares chegam a R$ 24 milhões em 2024
A cada ano, o trânsito nas estradas baianas se torna mais violento e letal. Dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) revelam que o número de mortes causadas por acidentes de trânsito saltou de 2.319 em 2020 para 2.887 em 2024 — um aumento de 24,5%. Apenas no ano passado, quatro pessoas morreram por hora em decorrência de ocorrências nas pistas.
Esse cenário de tragédia crescente tem impacto direto na saúde pública. Em 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia gastou R$ 23,8 milhões com o tratamento de vítimas de acidentes de trânsito, segundo dados do Ipea baseados no Datasus e divulgados pelo g1. O número de internações hospitalares também cresceu: foram 17.452 pacientes atendidos, um aumento de 10% em relação a 2023.
A situação é agravada pelo perfil das vítimas. Segundo a Sesab, 75% das internações por acidentes nas estradas envolvem motociclistas — índice muito superior ao de vítimas em veículos de quatro rodas, ciclistas ou pedestres. Ainda de acordo com a secretaria, cerca de 60% das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) gerais do estado estão ocupadas por pessoas que sofreram acidentes de trânsito.
— “A ortopedia representa, hoje, uma das maiores demandas por atendimento no estado da Bahia, cujas principais causas são acidentes de trânsito, sobretudo de motociclistas, e quedas de idosos”, afirma a Sesab, em nota oficial.
Para se ter uma ideia, os R$ 24 milhões utilizados no atendimento dessas vítimas em 2024 poderiam financiar a compra de aproximadamente 67 ambulâncias do SAMU. O montante poderia ser reduzido se o seguro obrigatório DPVAT ainda estivesse em vigor. Extinto em 2021, o seguro destinava 45% de sua arrecadação ao custeio de atendimentos médico-hospitalares para vítimas de trânsito em todo o país. Entre 2011 e 2020, essa contribuição somou R$ 5,8 bilhões ao SUS.
O aumento dos gastos com acidentes não é exclusivo da Bahia. Em todo o país, a curva de despesas hospitalares do SUS com vítimas do trânsito segue crescente há 27 anos. Em 1998, os custos foram de R$ 301,7 milhões; atualmente, os valores aumentaram quase 50% em termos reais. O maior salto ocorreu entre 2008 e 2009, quando as despesas passaram de R$ 280 milhões para R$ 386 milhões. Nem mesmo a pandemia da Covid-19 conseguiu frear a escalada: em 2020, mesmo com o tráfego reduzido, os gastos chegaram a R$ 404,9 milhões.
Diante desse panorama, especialistas e autoridades em saúde reforçam a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes para prevenção de acidentes, fiscalização no trânsito e fortalecimento de campanhas educativas — especialmente voltadas aos motociclistas, principais vítimas dessa crise silenciosa que segue lotando hospitais e esvaziando vidas.

























































