BahiaSegurançaÚltimas Notícias

Violência contra a mulher cresce na Bahia e expõe cenário de crueldade

Entre janeiro e outubro deste ano, a Bahia contabilizou 370 casos de feminicídio consumados ou tentados, número 33,5% superior a todo o ano de 2024, quando foram registrados 277 casos. Os dados são do Monitor de Feminicídios no Brasil (MBF), do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A maioria dos crimes ocorreu aos fins de semana e durante o dia, principalmente dentro das residências das vítimas, que concentram mais de 42% dos ataques.


Do total registrado em 2025, 240 mulheres sobreviveram às tentativas, enquanto 130 perderam a vida. Casos recentes evidenciam a crueldade das agressões, como o da cantora Laina Santana Guedes, morta a marretadas em Lauro de Freitas, e de Rhianna Alves, jovem trans de 18 anos, estrangulada em Luís Eduardo Magalhães. No último domingo (14), uma mulher de 50 anos foi esfaqueada pelo companheiro em Salvador e socorrida em estado grave, no mesmo dia em que ocorria uma passeata contra o feminicídio na capital.


Em todo o país, já são 5.582 feminicídios ou tentativas nos dez primeiros meses de 2025. Para a professora Vanessa Cavalcanti, da Ufba e integrante do Observatório de Feminicídios, a violência extrema revela premeditação e desumanização das vítimas. Segundo ela, práticas como desfiguração e métodos cruéis estão ligadas a uma cultura de dominação e misoginia, fortalecida inclusive por discursos disseminados na chamada “machosfera”, que extrapolam o ambiente digital e impactam a vida real.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo