Violência contra a mulher cresce na Bahia e número de casos preocupa autoridades
A Bahia registrou 245 casos de feminicídio e tentativas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, um aumento de 20,1% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 205 registros. Os dados são do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Somente neste ano, 63 mulheres foram mortas em casos classificados como feminicídio no estado. Salvador lidera o número de ocorrências, com 17 vítimas, seguida por Feira de Santana, com sete. Camaçari e Luís Eduardo Magalhães registraram quatro casos cada.
O cenário coloca a Bahia na contramão do Brasil, que teve redução de 3,2% nos feminicídios no mesmo período. Ainda assim, o país registra, em média, quatro mulheres vítimas desse tipo de crime por dia.
Para a defensora pública estadual Lívia Almeida, fatores como a falta de uma rede de apoio abrangente e a necessidade de respostas mais rápidas e efetivas contra os agressores contribuem para a permanência da violência.
Descumprimento de medidas protetivas preocupa
Outro dado que chama atenção é o aumento dos descumprimentos de medidas protetivas. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, os registros passaram de 3.825, em 2024, para 4.351, em 2025, uma alta de 13,6%.
A defensora avalia que as medidas protetivas são importantes, mas não funcionam da mesma maneira para todas as vítimas. Em casos de descumprimento, ela defende uma atuação rápida e integrada do Estado, Judiciário e forças de segurança.
A especialista também destaca a necessidade de ampliar o suporte às mulheres que conseguem romper o ciclo de violência, incluindo auxílio financeiro, acolhimento e condições para que possam reconstruir suas vidas.
A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, estabelece mecanismos de proteção e define diferentes formas de violência doméstica. Em 2015, o feminicídio passou a ser previsto na legislação brasileira e, em 2024, tornou-se crime autônomo no Código Penal, com penas mais severas.
Para Lívia Almeida, além da punição aos agressores, é fundamental fortalecer a rede de proteção e garantir condições para que as vítimas consigam deixar ambientes violentos com segurança e dignidade.















































