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Após dados de violência, governador Jerônimo Rodrigues afirma: “A Bahia é um estado de paz”

Em meio à repercussão dos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, que colocam a Bahia como o estado com o maior número absoluto de Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2024, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) declarou nesta segunda-feira (28) que “a Bahia é um estado de paz”. A fala foi feita durante entrevista a um pool de rádios em Barreiras, no oeste do estado.

De acordo com o levantamento divulgado na última quinta-feira (24), a Bahia registrou 6.036 mortes violentas no ano passado. Apesar da queda de 8,4% em relação a 2023 (6.579 mortes), o estado ainda lidera o ranking nacional em números absolutos. Além disso, cinco das dez cidades com maiores taxas de homicídios do Brasil estão localizadas em território baiano, incluindo Jequié, com taxa de 77,6 homicídios por 100 mil habitantes.

Fronteiras e crime organizado

Questionado sobre os números, Jerônimo atribuiu parte do cenário ao avanço do crime organizado em nível nacional. “Esse é um tema que já é internacional. Todos os países se preocupam com facções e com o capital investido no fortalecimento do crime”, argumentou.

O governador também cobrou reforço nas ações federais, destacando a vulnerabilidade das fronteiras brasileiras. “Eu tenho cobrado muito do presidente Lula e pedido ao ministro Lewandowski que nos ajudem com as fronteiras. A Bahia faz divisa com oito estados. Não é fácil”, disse.

Investimentos e resultados

Durante a entrevista, Jerônimo apresentou medidas que vêm sendo adotadas por sua gestão na área da segurança pública. Entre os destaques estão os investimentos em infraestrutura policial, ampliação do uso de tecnologia e formação de novos agentes.

“Estamos investindo fortemente em todas as áreas: polícia militar, civil, corpo de bombeiros e no Departamento de Polícia Técnica. Só este ano, 45 fuzis foram apreendidos na Bahia. E eles não são fabricados aqui”, afirmou.

Segundo o governador, quase 4 mil novos policiais foram capacitados, com metade desse efetivo previsto para entrar em ação já no início de 2026. Ele também ressaltou o uso de ferramentas de reconhecimento facial e sistemas de inteligência, que permitiram a prisão de cerca de 1.300 pessoas em 2024 sem o uso de armas de fogo.

Otimismo e reconhecimento dos desafios

Apesar da tentativa de adotar um tom otimista, o governador reconheceu a gravidade do problema. “Não estou fugindo do assunto. Mas não é só a Bahia que sofre com isso. Outros estados sofrem, e muito”, pontuou.

Jerônimo mencionou ainda quedas recentes em índices de violência em municípios como Jequié e Juazeiro, e garantiu que o governo tem intensificado operações policiais diariamente em diversas regiões do estado.

A fala do governador gerou reações nas redes sociais e em setores da sociedade civil, especialmente após a frase “a Bahia é um estado de paz”, ser vista como destoante da realidade de milhares de famílias afetadas pela violência. Ainda assim, o governo insiste na narrativa de que os dados estão em queda e que o enfrentamento à criminalidade é prioridade da gestão.

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