Arrocha domina São João na Bahia e levanta debate sobre cumprimento da Lei Luiz Gonzaga
Mais um ano em que o arrocha se consolida como protagonista do São João na Bahia. Segundo levantamento do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), entre os dez artistas mais contratados para o período junino em 2024, sete atrações são voltadas para o ritmo, que nasceu no estado e tem ganhado cada vez mais espaço nas festas populares.
Os dados foram extraídos do Painel da Transparência dos Festejos Juninos, ferramenta criada pelo MP-BA para monitorar os gastos públicos com os eventos. Até agora, 362 municípios baianos enviaram informações, revelando um total de R$ 357 milhões gastos com atrações artísticas.
A banda Toque Dez, liderada por Milsinho e originária de Serrinha, mantém o posto de mais contratada do São João 2025, com 39 shows agendados. O grupo, que lidera as audiências musicais no estado segundo dados do YouTube Charts, tem cachês variando entre R$ 220 mil e R$ 350 mil por apresentação.
Em segundo lugar, aparece o cantor Tayrone, com 23 contratações, seguido por Devinho Novaes. Na sequência, outros nomes do arrocha como Silfarley (5º), Unha Pintada (7º), Natanzinho Lima (8º) e Thiago Aquino (9º) reforçam o domínio do gênero.
Já o forró, tradicionalmente ligado às festas juninas, figura em menor número entre os mais contratados: Batista Lima (ex-Limão com Mel) aparece em 4º lugar, Mastruz com Leite em 6º e Calcinha Preta fecha o top 10, com 14 apresentações.
Lei Luiz Gonzaga em pauta
O destaque do arrocha reacende um debate entre produtores culturais e forrozeiros: o cumprimento da Lei Luiz Gonzaga, sancionada em 2023 com o objetivo de garantir a destinação de 80% dos recursos públicos para artistas vinculados ao forró e à cultura regional nordestina.
A lei foi criada em regime de urgência com o intuito de valorizar artistas locais, fomentar a economia criativa e preservar as tradições culturais do Nordeste, especialmente em um momento de recuperação pós-pandemia.
Apesar da força do arrocha e da preferência popular, o levantamento sugere uma possível distorção nos critérios de contratação, o que levanta questionamentos sobre a efetividade da legislação e a preservação das raízes culturais do São João.
Enquanto o arrocha embala multidões nos palcos juninos da Bahia, o forró — gênero que deu origem à festa — luta para manter seu espaço garantido por lei.

























































