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Bahia registra 23 feminicídios em três meses e média é de uma morte a cada quatro dias

A Bahia contabilizou ao menos 23 casos de feminicídio entre janeiro e março de 2026, revelando um cenário preocupante de violência contra a mulher no estado. O número representa uma média alarmante de uma mulher assassinada a cada quatro dias, conforme dados do painel do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, somados a levantamentos realizados pela reportagem do jornal CORREIO no mês de março.


Somente em janeiro, foram registrados nove casos. Em fevereiro, o número caiu para sete, mesma quantidade observada em março. Apesar da leve redução após o início do ano, o ritmo dos crimes permanece elevado, com ocorrências distribuídas por diversas regiões do estado.

Um dos aspectos mais preocupantes revelados pelos dados é o perfil dos suspeitos. Na maioria dos casos, os autores dos crimes são companheiros ou ex-companheiros das vítimas, reforçando o padrão de violência dentro de relações afetivas. A repetição desse cenário evidencia a persistência da violência doméstica como principal contexto dos feminicídios.

Dados consolidados de 2025 ajudam a compreender a dimensão do problema. Ao longo do ano passado, foram registrados 102 feminicídios na Bahia, o que representa uma redução de 7,3% em relação a 2024, quando houve 110 casos. Apesar da queda no número absoluto, a taxa proporcional à população feminina ainda se mantém elevada quando comparada ao início da série histórica, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP) e da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).


Outro dado que chama atenção é o local onde os crimes ocorrem. Em cerca de 85% dos casos registrados em 2025, os feminicídios aconteceram dentro do próprio domicílio das vítimas. Além disso, companheiros, ex-companheiros, namorados e ex-namorados foram responsáveis por nove em cada dez assassinatos, padrão que se repete em 2026.

Especialistas apontam que os números evidenciam a necessidade de fortalecer políticas públicas de proteção às mulheres, ampliar o acesso a canais de denúncia e garantir maior efetividade nas medidas protetivas. O cenário reforça também a importância de ações educativas e preventivas para combater a cultura de violência de gênero ainda presente na sociedade.

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